Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Brasileiros pagam o preço das isenções fiscais para os patrocinadores da Copa do Mundo, alertam ativista

Publicação da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, com apoio de "Land Research Action Network - LRAN" 

A FIFA deve terminar a sua insistência "obscena" de que em países -sede da Copa, deve haver  incentivos fiscais no valor de centenas de milhões às empresas patrocinadoras do evento, pede nova campanha.

 

O Brasil vai perder até R$ 1.174.133,34 em renúncia fiscal para os patrocinadores da Copa do Mundo, incluindo McDonalds, Budweiser e Johnson & Johnson, de acordo com a campanha da InspirAction, organização espanhola da Christian Aid. “O preço destes incentivos fiscais para empresas gigantes será pago por pessoas que vivem em situação de pobreza no Brasil, o que é obsceno", disse Isabel Ortigosa de InspirAction.

" O Brasil já é um dos países mais desiguais do mundo. Os milhões que a Fifa exige para seus patrocinadores deve ser usado para o benefício de muitas comunidades pobres do Brasil, e não para enriquecer os já poderosos. InspirAction lançou uma petição em setembro ao presidente da Fifa, Blatter, colocando que:"dar incentivos fiscais para a Copa do Mundo patrocina o cartão vermelho....não deveria haver imposição dessas regras para os países -sede da Copa no futuro”. 

Isabel Ortigosa acrescenta: "As estimativas mais conservadoras indicam que a Receita Federal do Brasil vai perder cerca de £ 145.000.000 de benefícios fiscais para os patrocinadores da Copa do Mundo, embora algumas estimativas sugerem que a perda pode chegar a £ 312.000.000 .

“Este é o dinheiro que deveria ser usado para ajudar milhões de famílias pobres do Brasil, por exemplo, com melhores escolas, hospitais e transportes públicos, apoio financeiro para todas as comunidades afetadas por projetos de infra-estrutura e também por meio de um sistema tributário mais justo."

A desigualdade no Brasil é tão grave que o 20% das pessoas detem quase 60% cento de toda a renda, enquanto 20% (cerca de 40 milhões de pessoas) obtem apenas 3% da renda, de acordo com dados do Banco Mundial. 

A propriedade da terra é também acentuadamente desigual, com quase um terço de toda as propriedades rurais nas mãos de menos de 1% de proprietários, de acordo com pesquisa publicada pela Christian Aid . Partes do sistema tributário do Brasil exacerbam a desigualdade, através da imposição de encargos por vezes impossíveis às pessoas pobres.

Enquanto os patrocinadores da FIFA não pagam imposto, 10 comunidades quilombolas no estado amazônico do Pará, enfrentam uma dívida do imposto territorial rural de £ 4 milhões, a qual não têm nenhuma esperança de pagar .


A advogada Carolina Bellinger, da Comissão Pró Índio de São Paulo, organização parceira Christian Aid, que está apoiando as comunidades a lutar contra esse imposto injusto, diz que o caso significa " enorme insegurança para 1.000 famílias na região e poderia afetar mais outras 8.500 no norte do

Pará ". Mara Luz, Responsável Adjunta da Christian Aid na América Latina e no Caribe, disse: " Os fãs que viajam para apoiar o seu país na Copa do Mundo não terão a chance de ver o Brasil real e como as famílias quilombolas estão sofrendo por causa deste sistema fiscal injusto. Em vez disso, verão uma branda e corporativa visão do país.”

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