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Raízes e fronteiras: série em áudio em 6 episódios
A Universidade de Strathclyde (Escócia) em parceria com a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos lança a série Raízes e Fronteiras. Em cada episódio, os povos que vivem em uma determinada região da Amazônia contam como enfrentam as fronteiras de projetos destrutivos que limitam o bem viver.
 
Raízes e Fronteiras narra os desafios e histórias de luta de comunidades, brasileiras e imigrantes, que são impactadas pela invasão e destruição de seus territórios por projetos que se instalaram na região amazônica para explorar as riquezas naturais da região. Em nome do lucro, muitas pessoas tem sido forçadas a deixar suas casas, famílias, terras, cultivos, pescas.



Apesar disso, essas pessoas seguem resistindo ao crescente autoritarismo e ao avanço da destruição da natureza para lutar por melhores condições de vida que os conectem à seus, saberes, histórias e dignidade ancestrais.



Raízes e Fronteiras é um podcast elaborado com depoimentos das pessoas afetadas por estas situações. Os áudios foram coletados pelos autores e autoras dos seis artigos do livro Amazônia em fluxo: tensões, território e trabalho, a ser lançado em 2021 pela Universidade de Strathclyde e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.



Cada episódio foca em uma temática específica, passando pela construção da hidrelétrica Belo Monte, as empresas da cadeia de alumínio e o monocultivo do dendê, todas no Pará, mas também a luta de trabalhadoras rurais para reconquistar a terra e de mulheres imigrantes em busca de trabalho no Acre e a superexploração de haitianos em Mato Grosso.



Os episódios tem duração de cerca de sete minutos cada e vão ao ar semanalmente, às segundas-feiras a partir de 3 de maio. Além de estar disponível nos websites do Centro de Economia Política do Trabalho da Universidade de Strathclyde e da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, a série também será distribuída por whatsapp para as comunidades onde os depoimentos foram gravados.


 

Episódio 2: De territórios de vida a zonas de sacrifício

“A gente bebe um copo de água ou ele tá com chumbo, que é aquela água branca, ou ele está com caulim, que é aquela água mais branca igual um leite, ou ele está com soda cáustica que é vermelho igual um suco de goiaba. O rio Murucupi tá morto.”

Empresas que atuam na cadeia de produção de alumínio migraram de países ricos para a África e para a América Latina, trazendo os riscos, desastres e as contaminações para o sul global. 
É o caso de mineradoras de bauxita, como a MRN e a Alcoa, da refinaria de alumina Alunorte, e da fábrica de alumínio Albrás. Essas empresas se instalaram em Barcarena, Juruti e Oriximiná, no  Pará, expropriando comunidades inteiras que dependiam do território para viver. Neste episódio de Raízes e Fronteiras, mulheres e homens  que habitam esses muncípios paraense relatam como o avanço da cadeia de alumínio vem afetando suas vidas.

Apresentação: Ana Laíde Barbosa. Produção: Daniela Stefano. Roteiro baseado no artigo Impactos da cadeia produtiva do alumínio sobre territórios tradicionalmente ocupados no Pará: os casos de Oriximiná, Barcarena e Juruti, de Thaís Borges e Maurício Torres, capítulo do livro Amazônia em fluxo: tensões, território e trabalho, a ser lançado em 2021 pela Universidade de Strathclyde.

 

 

 


 Episódio 1: nossa vida era o Rio Xingu
“O rio morre e a gente também vai morrendo aos poucos. Porque o rio era nossa alegria, nossa vida. O rio tá doente, todos que dependem dele também estão doentes.”

A Volta Grande do Xingu, no Pará é uma área rica em fauna, flora e minérios. E é também o lar de 23 comunidades; de pescadores, ribeirinhos, agricultores, além de povos indígenas aldeados e não aldeados. Natureza e povos foram impactados com a construção da hidrelétrica de Belo Monte e são agora ameaçados com a instalação da mineradora canadense Belo Sun, que pretende explorar o ouro da região.

Neste episódio, moradoras e moradores da Volta Grande falam dos impactos que sofrem e sobre a ligação que possuem com o rio Xingu.

Apresentação: Ana Laíde Barbosa. Produção: Daniela Stefano. Roteiro baseado no artigo Nossa Vida era o Rio Xingu, de Ana Laíde Barbosa e Josefa de Oliveira Camara da Silva, capítulo do livro Amazônia em fluxo: tensões, território e trabalho, a ser lançado em 2021 pela Universidade de Strathclyde.